Coisas fáceis de medir
Li a seguinte citação de um tal de Henry Baker num artigo sobre Lisp.
Uma vez que a performance de execução é prontamente quantificada, ela é frequentemente medida e otimizada -- mesmo quando o aumento de performance tem valor marginal [...] A qualidade e confiabilidade de software é muito mais difícil de medir, e portanto raramente otimizada.
Ele está falando de performance no sentido de tempo, consumo de memória etc.. Mas dá pra parafrasear um pouco e usar o mesmo insight para gestão de produtos de software.
Uma vez que a taxa de produção é prontamente quantificada, ela é frequentemente medida e otimizada -- mesmo quando o aumento de performance tem valor marginal [...] A qualidade e confiabilidade de software é muito mais difícil de medir, e portanto raramente otimizada.
Quer dizer, como é muito fácil medir o número de issues concluídas no período ou o número de pontos da sprint, é isso que a gestão tende a otimizar. Não se pode perder tempo, todos devem estar ocupados o tempo todo e trabalhando na ordem certa nos itens cuidadosamente hierarquizados. Nem pensar em corrigir um bug que você encontrou pelo caminho e que ainda não foi triado e categorizado, ou tirar um tempo para estudar alguma parte do sistema com atenção, ou testar alternativas, criar protótipos, inventar. Uma hora a taxa de produção atual deixa de ser suficiente, então é hora de mudar de metodologia, de ferramenta de gestão, hora de sugerir um bônus de produtividade ou mexer no time, cortar o home-office, apertar mais a equipe.
Em vez de perguntar "como foi a produtividade do time no último semestre?", seria mais importante perguntar "como se deu a evolução da qualidade e confiabilidade do software no último semestre?". Mas isso dá mais trabalho de responder.